A manhã deste sábado (7) foi de tensão no Residencial Magalhães, em Marabá, com a presença de uma oficial de justiça da 2ª Vara Federal Cível e Criminal, acompanhada por um forte aparato policial, inclusive agentes da Polícia Federal, para notificar os ocupantes sobre uma decisão de reintegração de posse. A ação, que se arrasta na justiça desde 2019, entra em uma nova e decisiva fase, com um prazo de 15 dias para a desocupação voluntária da área.
Desde as primeiras horas da manhã, equipes da PF, Polícia Militar e Guarda Municipal, juntamente com representantes da Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) de Marabá, estiveram no local para garantir o cumprimento do mandado judicial referente ao processo nº 1001581-38.2019.4.01.3901, movido pela Caixa Econômica Federal (CEF) contra os “invasores não identificados” e a associação de moradores.
O superintendente da SDU, Fernando Pacheco, explicou que a presença do município visava cumprir uma determinação judicial para assistir as famílias. “Estamos acompanhando a Oficial de Justiça que está intimando as famílias da decisão. Ficou determinado que o município assistisse as famílias, fazendo um cadastro hoje para que essas pessoas possam receber um aluguel social e tenham prioridade nas 920 moradias que serão construídas”, afirmou Pacheco.Leia mais:

Representante da SDU fala sobre aluguel social disponibilizado
Segundo o superintendente, este é um novo cadastro, solicitado pela Justiça Federal, e o município se comprometeu a arcar com o aluguel durante o período de construção das novas casas. As famílias teriam até a próxima quarta-feira para apresentar a documentação necessária. “A gente espera que as coisas aconteçam da melhor forma possível, que a desocupação ocorra de forma pacífica e tranquila”, completou.
Moradores resistem
A proposta, no entanto, foi recebida com desconfiança e recusa por parte dos moradores. Francisco Santos da Silva, que se identificou como presidente da Associação do Residencial Magalhães 1, que ocupa a área desde 2019, foi enfático ao rejeitar o acordo.
“O que eles querem é dividir o povo, fatiar o povo para que a gente venha fazer um compromisso com eles. Esse aluguel social não funciona”, declarou Francisco ao Correio de Carajás. Ele estima que entre 150 e 200 famílias vivem atualmente no local, com mais de 50 casas já construídas, e que o número total de lotes ocupados chega a quase 400.
O líder comunitário afirma que os moradores não estão dormindo direito com o temor de perderem suas casas e critica a postura do poder público. “É simples, eles passam sete anos sem nem falar com a gente, aí agora do nada vêm aqui querer derrubar nossas casas?”, questionou.

Francisco avisa que os ocupantes devem resistir com manifestações
Francisco adiantou que, caso a decisão de reintegração seja mantida, os moradores planejam novas manifestações, incluindo o possível fechamento da ponte e da rodovia BR-222, um ato que já realizaram no passado para cobrar melhorias como energia e água.
Histórico
A ocupação do Residencial Magalhães, um empreendimento originalmente da HF Engenharia e parte de um programa habitacional, é um foco de tensão social em Marabá há anos. Em abril de 2025, os moradores chegaram a bloquear a BR-222 em protesto contra o corte de ligações clandestinas de energia, cobrando também infraestrutura básica.
A ação deste sábado representa o passo mais concreto da Justiça para a retomada da área. Com a notificação oficial, a contagem regressiva de 15 dias para a desocupação voluntária começou. Após esse período, a reintegração de posse poderá ser executada de forma forçada, um cenário que as autoridades esperam evitar, mas que, diante da resistência dos moradores, parece cada vez mais provável.
Francisco adiantou que, caso a decisão de reintegração seja mantida, os moradores planejam novas manifestações, incluindo o possível fechamento da ponte e da rodovia BR-222, um ato que já realizaram no passado para cobrar melhorias como energia e água.
Histórico
A ocupação do Residencial Magalhães, um empreendimento originalmente da HF Engenharia e parte de um programa habitacional, é um foco de tensão social em Marabá há anos. Em abril de 2025, os moradores chegaram a bloquear a BR-222 em protesto contra o corte de ligações clandestinas de energia, cobrando também infraestrutura básica.
A ação deste sábado representa o passo mais concreto da Justiça para a retomada da área. Com a notificação oficial, a contagem regressiva de 15 dias para a desocupação voluntária começou. Após esse período, a reintegração de posse poderá ser executada de forma forçada, um cenário que as autoridades esperam evitar, mas que, diante da resistência dos moradores, parece cada vez mais provável.


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